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MUDEI Não estou mais aqui e sim aqui : http://mirabilia-blog.blogspot.com/
Escrito por d às 12h24
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para você, não sei falar nem escrever
água viva - clarice lispector
"Minha verdade espantada é que sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver. (...) Mas lembrar-se com saudade é como se despedir de novo. (...) Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados eperdidos. (...) Não te falarei sequer nisso que escrevo e que contém o que sou e que te dou de presente sem que o leias. Nunca lerás o que escrevo. E quando eu tiver anotado o meu segredo de ser - jogarei fora como se fosse ao mar. Escrevo-te porque não chegas a aceitar o que sou. Quando destruir minhas anotações de instantes, voltarei para o meu nada de onde tirei um tudo? Tenho que pagar o preço. O preço de quem tem um passado que só se renova com paixão no estranho presente. Quando penso no que já vivi parece que fui deixando meus corpos pelos caminho
Escrito por d às 15h03
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não lapidada
Sigo tentando alcançar-te
translucidas e selvagens forças me impedem
na minha cabeça conversamos sempre
sombrio desconsolo, ausencia dolente
Me atiro ao limbo, pois ja não sei mais meu valor
revirada e dividida circulo o infinito
Com lagrimas doces e suspiros leves
Comprimento meu mundo onírico
E percorro veredas primitivas que levam somente a mim mesma.
Escrito por d às 14h47
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Guiraut de Borneilh (circa 1138-1200?)
Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração: Pois os olhos são os espiões do coração. E vão investigando O que agradaria a este possuir. E quando entram em pleno acordo. E, firmes, os três em um só se harmonizam, Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração. O amor não pode nascer nem ter início senão Por esse movimento originado do pendor natural. Pela graça e o comando Dos três, e do prazer deles, Nasce o amor, cuja clara esperança Segue dando conforto aos seus amigos. Pois, como sabem todos os amantes verdadeiro, o amor é bondade perfeita, Oriunda - ninguém duvida - do coração e dos olhos. Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece: Amor, fruto da semente pelos três plantada.
Guiraut de Borneilh
Escrito por d às 13h41
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Os Sobreviventes - Caio F de Abreu
(Para ler ao som de Angela Ro-Ro)
SRI LANKA, quem sabe? Ela me diz, morena e ferina, e eu respondo por que não? mas inabalável continua: você pode pelo menos mandar cartões-postais de lá, para que as pessoas pensem nossa, como é que ele foi parar em Sri Lanka, que cara louco esse, hein, e morram de saudade, não é isso que te importa? uma certa saudade: em Sri Lanka, brincando de Rimbaud, que nem foi tão longe, para que todos lamentem ai como ele era bonzinho e nós não lhe demos a dose suficiente de atenção para que ficasse aqui entre nós, palmeiras e abacaxis. Sem parar, abana-se com a capa do disco de Ângela enquanto fuma sem parar e bebe sem parar sua vodka nacional sem gelo nem limão. Quanto a mim, a voz rouca, fico por aqui comparecendo a atos públicos, entre uma e outra carreira, pixando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaaro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sócio político artístico filosófico existenciais e bababá em comum só podiam dar mesmo nisso: cama. Realmente tentamos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro, e não queria lembrar mas não me saía da cabeça o teu pau murchos e os bicos do meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, e eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, mas não sei se você acreditou. Quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanta tesão mental espiritual moral existencial e nenhuma física, e eu não queria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, ai como éramos diferentes, éramos melhores, éramos mais, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos vagamente sagrados, mas no final das contas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou, cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, enfiava fundo o dedo na buceta noite após noite pedindo mete fundo, coração, explode junto comigo, depois virava de bruços e chorava no travesseiro porque naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? Naquele bar infecto onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, o que acontece é que como bons-intelectuais-pequeno-burgueses o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virginia Woolf, como era mesmo? Vita, Vita Sackville-West e o veado do marido, não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados, me passa a vodka, o quê? e eu lá tenho grana pra comprar wyborowas? não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra decadentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Peço cigarro e ela me atira o maço na cara, com que joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, ,veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, cara. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, afinal você naquele tempo ainda não tinha se decidido a dar a bunda, nem eu a lamber buceta, ai que gracinha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castañeda, depois Laing embaixo do braço, aqueles sonhos colonizados nas cabecinhas idiotas, bolsas na Sorbonne, chás com Simone e Jean-Paul nos 50, em Paris; 60 em Londres ouvindo here comes the sun here comes the sun, little darling; 70 em Nova Iorque dançando disco-music no Studio 54; 80 a gente aqui, mastigando essa coisa porca sem conseguir engolir nem cuspir fora em esquecer esse gosto azedo na boca. Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço? Não é plágio do Pessoa, mas em cada canto do meu quarto tenho uma imagem de Buda, uma de mãe Oxum, outra de Jesuzinho, um pôster de Freud, às vezes acendo vela, faço reza, queimo incenso, tomo banho de arruda, jogo sal grosso nos cantos, não te peço solução nenhuma, você vai curtir os seus nativos de Sri Lanka depois me manda um cartão-postal contando qualquer coisa como ontem à noite, à beira do rio, deve haver um rio por lá, um rio lodoso, cheio de juncos sombrios, mas ontem na beira do rio, sem planejar nada, de repente, por acaso, encontrei um rapaz de tez azeitonada e olhos oblíquos que. Hein? claro que deve haver alguma espécie de dignidade nisso tudo, ,a questão é onde, ,não nesta cidade escura, não neste planeta podre e pobre, dentro de mim? Ora não me venhas com autoconhecimentos-redentores, já sei tudo de mim, tomei mais de cinqüenta ácidos fiz seis anos de análise, já pirei de clínica, lembra? você me levava maçãs argentinas e fotonovelas italianas, Rossana Galli, Franco Andrei, Michela Roc, Sandro Moretti, eu te olhada entupida de mandrix e babava soluçando perdi minha alegria, anoiteci, roubaram minha esperança, enquanto você, solidário e positivo, apertava meu ombro com sua mão apesar de tudo viril repetindo reage, companheira, reage, a causa precisa dessa tua cabecinha privilegiada, teu potencial criativo, tua lucidez libertária, bababá bababá. As pessoas se transformavam em cadáveres decompostos à minha frente, minha pele era triste e suja, as noites não terminavam nunca, ninguém me tocava, mas eu reagi, despirei, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial criativo? Mato, não mato, atordôo minha sede com sapatinhos do Ferro’s Bar ou encho a cara sozinha aos sábados esperando o telefone tocar, e nunca toca, ouvindo samba-canção e blues com caipira de vodka, neste apartamento que pago com o suor do potencial criativo da bunda que dou oito horas diárias pra aquela multinacional fodida. Mas eu quero dizer, e ela me corta mansa, claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca, me passa o cigarro, não estou desesperada, ,não mais do que sempre estive, não estou bêbada nem louca, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, não se preocupe, depois que você sair tomo banho frio, lente quente com mel de eucalipto e gin-seng, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma? Passa devagar a tua mão na minha cabeça, no meu coração, eu tive tanto amor um dia, pára e pede, preciso tanto, tanto, tanto, bicho, não me permitiram, então estendo os dedos e ela fica subitamente pequenina apertada contra meu peito, perguntando se está mesmo muito feia e meio puta e muito velha e completamente bêbada, eu não tinha essas marcas em volta dos olhos, eu não tinha esses vincos em torno da boca, eu não tinha esse jeito de sapatão cansado, e eu repito que não, que está linda assim, desgrenhada e viva, ela pede que eu coloque uma música e escolho o Noturno número dois em mi bemol de Chopin, quero deixá-la assim, dormindo no escuro, sobre este sofá, ao lado das papoulas quase murchas, embalada pelo piano remoto como uma canção de ninar, mas ela se contrai violenta e peded que eu ponha Angela outra vez, então viro o disco, amor meu grande amor, caminhamos tontos até o banheiro onde sustento sua cabeça sobre a privada para que vomite, e sem querer vomito junto, ao mesmo tempo, os dois abraçados, bocas amargas, fragmentos azedos sobre as línguas, ela puxa a descarga e vai me empurrando para a porta, pedindo que me vá, e me expulsa para o corredor dizendo não esqueça então de mandar um cartão de Sri Lanka, aquele rio lodoso, aquela tez azeitonada, que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. A chave gira na porta. Preciso me apoiar contra a parede para não cair. Atrás da madeira, misturada ao piano e à voz rouca de Angela, nem que eu rastejasse até o Leblon, consigo ouvi-la repetindo que tudo vai bem, tudo continua bem, tudo muito bem, tudo bem. Axé, axé, axé! eu digo e insisto, até o elevador chegar. Axé, odara
Escrito por d às 23h36
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ventura
Desde pequena sabia que passava uma grande parte do dia como refém de devaneios. Constantemente se entregava aos caprichos da imaginação e por ali ficava. Algumas vezes chegava a ficar em dúvida do que podia realmente fazer no plano do que existia de fato. Rezava, pedidndo objetividade. Tal caracteristica da qual se sentia desprovida, parecia ser o centro do furacão que tirava seus pés do chão diariamente. A falta de direção se unia ao excesso de interesses que as coisas lhe despertavam, e era possível que a cada dia uma paixão nova aparecesse para ela. Na verdade, podemos dizer que era uma pessoa que se encantava com qualquer pequena descoberta cotidiana. Parecia ser tomada por pequenas epifanias,e o que as mais banais das criaturas achassem ordinário, para ela era estravagante, maravilhoso e memoravél.
Talvez isso lhe fizesse uma pessoa rara. Com certa doçura. Mas viver nesse mundo de lampejos brilhantes acerca da vida também tinha seus buracos negros. Do mesmo modo que era envolvida pela admiração e exaltação das vivências rotineiras sentindo-se muitas vezes enlevada, subitamente tudo mudava de lugar. Sua visão e pensamento perdiam a limpidez e o brilho, e ela passava a acreditar em coisas nocivas. Que transgressão era essa. Já estava indo além do que era permitido, então só podia dar nisso : ruína. A maior conquista seria não entrar nessa onda de pensamentos prejudiciais. Mas era muitas vezes como uma idéia impertinente, uma perseguição insistente da qual ela não conseguia fugir.
Gostava tanto do outro pólo! Ah, a luz, a vivacidade, o esplendor. Ostentava com prazer a magnificência. Os dias tinham cores inéditas, o por do sol excepcional, o verde cada vez mais verde, as rosas, os crisântemos, as borboletas com suas asas coloridas e brilhantes, os livros (estes eram os que lhe mostravam as direções a serem seguidas), as palavras sempre primorosas aos seus ouvidos ...A imensidão do mar azul,as florestas, o mistério que movia sua fé e fazia dela uma pessoa que acreditava no amor. Eram essas as coisas que importavam e que tinham que perdurar. Para isso sabia que não podia perder a coragem. A firmeza de espírito trazia grandes reconpensas. E assim ela ia entre incertezas e valentia, pensando que como Cecília Meirelles tinha aprendido com a primavera a se deixar cortar e voltar sempre inteira.
Escrito por d às 17h10
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desfragmentação às 6:40
O sono não chega nunca. Se chega, acaba rápido. Que criatura teria tanta preocupação que, considerasse o ato de dormir uma coisa praticamente inacessível? Associava dormir a um tipo de entrega, dessas que se faz de olhos fechados, e venha o que vier. Era isso que a sitiava? Estava presa em sua própia inquietação de espírito e não conseguia passar para o lado de lá.
Podia ser compatível com excesso de desejos. Cada dia, partido em horas, que se partiam em minutos, tinham significação e, exigiam racíocinio especifico. Já era automático. Estranho colocar desejo e raciocínio na mesma frase, já que a incompatibilidade entre os dois é descarada. Mas era essa mistura que parecia gerar toda a insensatez.
Não era justo, não conseguir entregar o corpo a um descanso e passar o dia com os olhos pesados, por causa da fadiga gerada por desejos incompreensíveis e inomináveis. Seriam todos assim? Outro erro. Que vício desnecessário era esse, a comparação. Tinha se apropriado dessa obsessão desde que começou pensar. E isso só paralisava, deixando-a correndo como atrás, ou em círculos, como se o progresso pessoal fosse uma utopia. Era isso. A utopia da definição individual e da conquista que seria prosperar em alguma atividade.
Além disso não podemos deixar de falar do amor. Essa graça que vem permeando os corações humanos também representava uma boa perda de sono diário. Quando desejava alguém era impossível conter os pensamentos enérgicos, impetuosos e as fantasias romanticas e mirabolantes que pareciam brotar como flores em sua cabeça. A frase que mais gostava era quando Mr. Darcy fala, numa mistura de alívio e confissão, 'I Love you....Most Ardently' para Lizzie, na história de Jane Austen. Gostava do ardently. Se identificava com a veemencia e o ardor, que a faziam dela uma pessoa desassossegada.
Era essa sua natureza. Incandescente, arrebatada por qualquer micro sentimento ou pensamento cotidiano. Grande para as coisas que não se pode nomear, subjetivas e complexas, e, pequena para as coisas práticas, lógicas e nítidas.
Escrito por d às 09h22
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sonnets
TENGO MIEDO A PERDER LA MARAVILLA
Tengo miedo a perder la maravilla de tus ojos de estatua, y el acento que de noche me pone en la mejilla la solitaria rosa de tu aliento.
Tengo pena de ser en esta orilla tronco sin ramas; y lo que más siento es no tener la flor, pulpa o arcilla, para el gusano de mi sufrimiento.
Si tú eres el tesoro oculto mío, si eres mi cruz y mi dolor mojado, si soy el perro de tu señorío,
no me dejes perder lo que he ganado y decora las aguas de tu río con hojas de mi otoño enajenado.
Frederico García Lorca
Minha Finalidade
Turbilhão teleológico incoercível, Que força alguma inibitória acalma, Levou-me o crânio e pôs-lhe dentro a palma Dos que amam apreender o Inapreensível!
Predeterminação imprescriptível Oriunda da infra-astral Substância calma Plasmou, aparelhou, talhou minha alma Para cantar de preferência o Horrível!
Na canonização emocionante, Da dor humana, sou maior que Dante, - A águia dos latifúndios florentinos!
Sistematizo, soluçando, o Inferno... E trago em mim, num sincronismo eterno A fórmula de todos os destinos!
Augusto dos Anjos
INCONSTÂNCIA
Procurei o amor, que me mentiu. Pedi à Vida mais do que ela dava; Eterna sonhadora edificava Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu, E tanto beijo a boca me queimava! E era o sol que os longes deslumbrava Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer... Atrás do sol dum dia outro a aquecer As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo É igual a outro amor que vai surgindo, Que há-de partir também...nem eu sei quando...
Florbela Espanca
The best, SHAKESPEARE, sonnet 18
Shall I compare thee to a summer's day? Thou art more lovely and more temperate: Rough winds do shake the darling buds of May, And summer's lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines, And often is his gold complexion dimmed, And every fair from fair sometime declines, By chance, or nature's changing course untrimmed:
But thy eternal summer shall not fade, Nor lose possession of that fair thou ow'st, Nor shall death brag thou wand'rest in his shade, When in eternal lines to time thou grow'st,
So long as men can breathe or eyes can see, So long lives this, and this gives life to thee.
William Shakespeare
Escrito por d às 20h37
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Lou Andreas-Salomé foi uma bela mulher que escandalizou a sociedade e quebrou regras morais.
Teve vários amantes.
Conheceu Freud, Jung, Nietzsche, Henri Bergson, Sartre, Paul Rée, entre outros grandes homens.
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Ouse, ouse... ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!! |

— Lou-Salomé |
Escrito por d às 15h26
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sonnet 18 & 130 Shakespeare
http://www.youtube.com/watch?v=aZRTbXaBguQ
http://www.youtube.com/watch?v=QZn3HaxN5m0&feature=related
Escrito por d às 17h16
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um beijo que tivesse um blue.
Um Beijo que tivesse um blue. Isto é imitasse feliz a delicadeza, a sua, assim como um tropeço que mergulha surdamente no reino expresso do prazer. Espio sem um ai as evoluções do teu confronto à minha sombra desde a escolha debruçada no menu; um peixe grelhado um namorado uma água sem gás de decolagem: leitor embevecido talvez ensurdecido "ao sucesso" diria meu censor "à escuta" diria meu amor
a.c. cesar
"Ana Cristina encarava a modernidade. Talvez por isso tenha morrido cedo - pura passagem permanente - muitas asas e um desdém pelo que poderia ser raiz. O lugar que ocupa é na linha do horizonte - virtual e veloz. Seu verso, que pertenceu à vertente cultivada da geração que apareceu em 70, é, hoje, pedra de toque para toda poesia que se quer nova; com seus motivos e matizes estilizadas que se deixam acompanhar, ao fundo, por uma brusca e inusitada melodia que parece ter sido feita pela mistura de cristais, heavy metal e tafetá. A obra é breve, um cinema essencial, e depressa. Morria de sede no meio de tanta seda. Nunca nos esquecemos de sua paixão acesa e seca. O que mais queima: a pedra de gelo ou o ferro em brasa ? Vulcão de neve. Ela não foi - ela fica - como uma fera". Armando Freitas Filho no livro " Inéditos e Dispersos - Poesia/Prosa" Editora Brasiliense - 1985
Escrito por d às 16h37
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' Paixao 'e desespero
tudo voa nada agarra
sigo atropelando flores
na floresta desmatada
po' de ouro, neve eterna, vulcao de lava. '
d.f
Escrito por d às 19h43
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leminski
viver é super difícil o mais fundo está sempre na superfície
Escrito por d às 19h21
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lost in translation
I´m stuck.Dos it get easier?
No. Yes. It gets easier. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you...
Escrito por dani às 17h39
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50 anos do grande sertão veredas e
frases essenciais do joão guimarães rosa...
"As pessoas não morrem, ficam encantadas"
"Mestre não é quem sempre ensina mas quem de repente aprende "
"A vida é etcétra."
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. "
"minha literatura é para bois. não é para ser engolida de vez."
" Felicidade se acha é em horinhas de descuido"
"Vc sabe o q é o silêncio? É a gente mesmo demais".
enomedopaidofiodoespiritosantamén...
Escrito por dani às 17h45
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"Brincar nunca termina". C.L.
Escrito por dani às 17h57
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quando chove, eu chovo. faz sol, eu faço. de noite, anoiteço. tem deus, eu rezo. não tem, esqueço. chove de novo, de novo, chovo. assobio no vento, daqui me vejo. lá vou eu, gesto no movimento.
Escrito por dani às 17h47
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ai ai, caio fernando.....
O Dia em que Júpiter encontrou Saturno"
-Você tem um cigarro? -Estou tentando parar de fumar. -Eu também, mas queria uma coisa nas mãos agora. -Você tem uma coisa nas mãos agora. -Eu? -Eu.
Escrito por dani às 21h59
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"Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados."
Escrito por dani às 21h32
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filmes da minha vida.
http://www.youtube.com/watch?v=F86ZscT_kLw - melhor final,mais lindo do cinema, apesar de tudo a vida tem uma certa doçura...LE NOTTI DI CABIRIA - FELLINI
http://www.youtube.com/watch?v=U3eBp9qo0e0- I´m a little bit Charlotte....LOST IN TRANSLATION
http://www.youtube.com/watch?v=wWsgp63A6R4 - o amor como deveria ser não existe?...CLOSER
http://www.youtube.com/watch?v=Nn_GjFfikA8 -o poder das lembranças sobre nós...BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRAANÇAS
http://www.youtube.com/watch?v=pcr-DtTyOio&mode=related&search - about a girl.... BELEZA ROUBADA - BERTOLUCCI
Escrito por dani às 18h04
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sabedoria budista
Vê que a vida é uma grande ponte.Não constrói nela sua casa. Atravessa somente.

Escrito por daniloira às 22h06
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cecilia meirelles
"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."
Escrito por daniloira às 21h54
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"suponho que me entender não é questão de inteligência e sim de sentir." --CL

Escrito por daniloira às 09h37
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Pensou:
POR QUE A M O U ?
se encontrou
se iluminou
se elevou
se entregou.
MAS SE QUEIMOU, SE MACHUCOU, C H O R O U.
se afogou.
se levantou, se conformou, se afastou.
nunca mais esqueceu.
NUNCA MAIS SE A C A L M O U.

Escrito por daniloira às 15h18
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"A maioria das coisas depende muito mais da maneira como a encaramos, e não de como são em si. Vale muito mais a pena viver as pequeninas coisas com sentido, do que as maiores sem sentido algum." (C.G.JUNG - A PRÁTICA DA PSICOTERAPIA)
Escrito por daniloira às 14h52
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SÁBIO CAZUZA:
Eu quero a sorte de um amor tranquilo....
Escrito por daniloira às 09h58
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Escrito por daniloira às 19h09
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CAIU DE CARA
Colocou as mãos na testa, fechando os olhos. Apertou bem forte. Queria dar um soco na parede, chutar alguma coisa ou atacar alguma coisa longe que nem ela via nos filmes, mas sua personalidade não era dessas. Quando alguém a machuva muito assim, ela era mais de chorar, chorar, chorar ao invés de sair louca por aí. Ai que merda, não queria acreditar em tudo o que estava acontecendo. Nunca tinha passado por isso. A cabeça, porra, não para de pensar, e pirar, ai, só queria um Rivotril, ou uma garrafa de vodka, ou os dois junto. Como assim? Não conseguia acreditar que tudo o que era tão bom, especial e único tinha se tornado uma grande decepção, o que era divino tinha se tornado humano, e pior, medíocre. Sabia que o corte era fundo e que ficaria ali pra sempre, no matter what. Porra, se decepcionar assim é como ir a nocaute. POWWW! Estava no chão do ringue. Levantou, sem ajuda pegou na mão da adversário e fizeram um pacto: VERDADE.
Escrito por daniloira às 18h38
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LIXO E PURPURINA
"...Então eu quero que vc venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre essas paredes cobertas de guirlandas e de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do Nepal, velas da Suécia na beirada da janela, fechar charos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros possiveis ou presentes impossiveis, dos meus muitos ou nenhuns eus. Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que vc venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou, além de chamar vc agora, porque tenho medo e estou sozinho, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele pais distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois...."
Caio F. de Abreu
Escrito por daniloira às 17h50
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... Sobretudo, pensou ainda, compreende a vida porque não é suficientemente inteligente para não compreendê-la ...
Perto do Coração Selvagem - Lispector
Escrito por daniloira às 11h40
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SENSIBILIDADE
enfraquece ou fortelece???
Escrito por daniloira às 17h06
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Microcriaturas parem de ser um ser rastejante, um verme...afinal ...temos liberdade em qualquer lugar...
Escrito por daniloira às 19h46
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quero uma realidade inventada.
Escrito por daniloira às 20h16
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sempre há alguma coisa que falta. guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa.
Escrito por daniloira às 10h06
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"Dor não tem nada haver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade." Adélia Prado
Escrito por daniloira às 10h05
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Ela fumava o cigarro sempre com o mesmo charme. Adorava deixar a fumaça sair da sua boca fazendo desenhos no ar. Se sentia, no momento, como num filme. Ou melhor, queria estar num filme. Mas qual? Nesse minuto queria estar num filme de Bertolucci, pensou. Mas qual?Foi então que se perdeu entre o ultimo tango em paris, beleza roubada ou os sonhadores. Não sabia se queria estar perdida de amor e tesão em paris, numa casa de campo nostálgica no verão na Italia, ou, tomando vinho, fumando e tendo a liberdade sem limites na Paris do fim dos anos 60.
Escrito por daniloira às 09h46
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24 me martirizando. Can't help it. Quem mandou ser tão sensível.
Onde há maior sensibilidade é mais forte o martírio. (Da Vinci)
Escrito por daniloira às 16h55
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" Sossego traz desejos."
"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! "
João Guimarães Rosa,em "Grande Sertão, Veredas"
Escrito por daniloira às 19h33
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YO SOY FRIDA

Escrito por daniloira às 10h27
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as vezes sentia que não existia um limite entre ele e o mundo. Ou ele e o próximo. Em alguns momentos epifanicos, se sentia misturado até a folha de uma árvore, ou um musguinho em cima da pedra. Era isso, essa mistura que gerava aquela sensação no estomago, e sempre acabava lembrando da frase da Clarice Lispector que falava que viver é um soco no estomago ou alguma coisa parecida. Então comia as pelinhas dos dedos, fumava um cigarro ou tomava uma vodka, para tentar sentir um certo alivio. Esse estado o envolvia constantemente. Mas, surpreendeu-se com si proprio, quando em meio a milhares de pensamentos e sensaçoes do tipo lembrou do filme Noites de Cabíria do Fellini, lembrou do brilho nos olhas, da fé, da esperança. E pensou na frase que o proprio Felini disse: apesar de tudo a vida tem uma certa doçura.
Escrito por daniloira às 21h44
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