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desfragmentação às 6:40



O sono não chega nunca. Se chega, acaba rápido. Que criatura teria tanta preocupação que, considerasse o ato de dormir uma coisa praticamente inacessível? Associava dormir a um tipo de entrega, dessas que se faz de olhos fechados, e venha o que vier. Era isso que a sitiava? Estava presa em sua própia inquietação de espírito e não conseguia passar para o lado de lá.

Podia ser compatível com excesso de desejos. Cada dia, partido em horas, que se partiam em minutos, tinham significação e, exigiam racíocinio especifico. Já era automático. Estranho colocar desejo e raciocínio na mesma frase, já que a incompatibilidade entre os dois é descarada. Mas era essa mistura que parecia gerar toda a insensatez.

Não era justo, não conseguir entregar o corpo a um descanso e passar o dia com os olhos pesados, por causa da fadiga gerada por  desejos incompreensíveis e inomináveis. Seriam todos assim? Outro erro. Que vício desnecessário era esse, a comparação. Tinha se apropriado dessa obsessão desde que começou pensar. E isso só paralisava, deixando-a correndo como atrás, ou em círculos, como se o progresso pessoal fosse uma utopia. Era isso. A utopia da definição individual e da conquista que seria prosperar em alguma atividade.

Além disso não podemos deixar de falar do amor. Essa graça que vem permeando os corações humanos também representava uma boa perda de sono diário. Quando desejava alguém era impossível conter os pensamentos enérgicos, impetuosos e as fantasias romanticas e mirabolantes que pareciam brotar como flores em sua cabeça. A frase que  mais gostava era quando Mr. Darcy fala, numa mistura de alívio e confissão, 'I Love you....Most Ardently' para Lizzie, na história de Jane Austen. Gostava do ardently. Se identificava com a veemencia e o ardor, que a faziam dela uma pessoa desassossegada.

Era essa sua natureza. Incandescente, arrebatada por qualquer micro sentimento ou pensamento cotidiano. Grande para as coisas que não se pode nomear, subjetivas e complexas, e, pequena para as coisas práticas, lógicas e nítidas.




Escrito por d às 09h22
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sonnets

TENGO MIEDO A PERDER LA MARAVILLA

Tengo miedo a perder la maravilla
de tus ojos de estatua, y el acento
que de noche me pone en la mejilla
la solitaria rosa de tu aliento.

Tengo pena de ser en esta orilla
tronco sin ramas; y lo que más siento
es no tener la flor, pulpa o arcilla,
para el gusano de mi sufrimiento.

Si tú eres el tesoro oculto mío,
si eres mi cruz y mi dolor mojado,
si soy el perro de tu señorío,

no me dejes perder lo que he ganado
y decora las aguas de tu río
con hojas de mi otoño enajenado.

Frederico García Lorca

 

Minha Finalidade

Turbilhão teleológico incoercível,
Que força alguma inibitória acalma,
Levou-me o crânio e pôs-lhe dentro a palma
Dos que amam apreender o Inapreensível!

Predeterminação imprescriptível
Oriunda da infra-astral Substância calma
Plasmou, aparelhou, talhou minha alma
Para cantar de preferência o Horrível!

Na canonização emocionante,
Da dor humana, sou maior que Dante,
- A águia dos latifúndios florentinos!

Sistematizo, soluçando, o Inferno...
E trago em mim, num sincronismo eterno
A fórmula de todos os destinos!

Augusto dos Anjos

 

INCONSTÂNCIA

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também...nem eu sei quando...

Florbela Espanca

 

The best, SHAKESPEARE, sonnet 18

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date:

Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimmed,
And every fair from fair sometime declines,
By chance, or nature's changing course untrimmed:

But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st,
Nor shall death brag thou wand'rest in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st,

So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.

William Shakespeare



Escrito por d às 20h37
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